Com números recordes de eventos, crescimento de receitas, novos projetos de inclusão e liderança no cenário político da modalidade, a União Europeia de Judô afirma sua posição como força determinante no presente e no futuro do judô mundial.
Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 5 de janeiro de 2026
O 77º Congresso Ordinário da União Europeia de Judô (EJU), realizado em 15 de dezembro de 2025, marcou não apenas o encerramento de mais um ano bem-sucedido para o judô europeu, mas consolidou o continente como principal protagonista do desenvolvimento técnico, estrutural e institucional da modalidade em nível global.
A Europa não só lidera em organização de eventos e geração de receitas, como também amplia sua presença nos espaços decisórios da Federação Internacional de Judô (FIJ) e assume compromissos cada vez mais amplos com inclusão, diversidade e responsabilidade social.
Crescimento técnico e político da Europa no judô internacional
Ao abrir os trabalhos do Congresso, o presidente da EJU, Dr. László Tóth, destacou que os últimos três anos foram de “crescimento significativo” para a organização. Com uma agenda técnica robusta, foco em gestão profissional e forte atuação política, a Europa passou a ditar o ritmo de expansão do judô no mundo.
Entre os destaques está a eleição de oito europeus para o Comitê Executivo da FIJ, reforçando a voz do continente nas decisões internacionais. Além disso, a EJU foi responsável por sediar quatro dos cinco campeonatos mundiais da FIJ em 2025, incluindo o Mundial Sênior na Hungria e o Mundial Cadete na Bulgária — uma demonstração clara de sua força institucional e organizacional.

Mais eventos, mais visibilidade, mais receita
Se 2023 e 2024 já haviam sido anos intensos, com 107 e 101 eventos, respectivamente, 2025 registrou um recorde absoluto: 114 eventos organizados pela EJU em um único ano. A marca histórica é fruto de planejamento estratégico e do envolvimento direto das federações nacionais filiadas, que têm disputado o direito de sediar competições continentais e mundiais.
Esse crescimento também se refletiu nos números financeiros: a receita da EJU subiu 33% entre 2024 e 2025, impulsionada principalmente pelo crescimento da plataforma JudoTV e pela expansão das parcerias de transmissão. O resultado reforça não apenas a visibilidade internacional da entidade, mas sua capacidade de investir em novos projetos estruturantes.
Projetos sociais, judô adaptado e direitos humanos
O Congresso também foi palco de avanços simbólicos e práticos em áreas como inclusão, acessibilidade e responsabilidade social. A aprovação da Declaração de Direitos Humanos da EJU institucionalizou princípios como diversidade, igualdade de gênero e proteção no ambiente do judô.
Entre os programas de maior impacto, o Judô Adaptado foi descrito como um dos pilares da estratégia da entidade. A iniciativa tem crescido ano a ano e, em 2026, será incorporada oficialmente ao Grand Slam de Lausanne, na Suíça — primeira competição de elite a abraçar completamente o programa.
“Se podemos ser um lugar onde essas pessoas se sintam acolhidas e felizes, é nosso dever proporcionar isso”, afirmou Dr. Tóth em um dos trechos mais emocionantes do Congresso.
Novos formatos, novas fronteiras
O plano da EJU para os próximos anos envolve abrir os Campeonatos de Clubes à participação global e criar, em parceria com a Federação Francesa de Judô, competições voltadas a faixas coloridas, ampliando o alcance do esporte para além do alto rendimento.
Além disso, novos países-sede foram anunciados para grandes eventos de 2026, como Montenegro, Macedônia do Norte e Moldávia — sinalizando o interesse crescente de países de diferentes tamanhos e recursos em abraçar o judô como ferramenta esportiva e social.
Judô europeu: referência de gestão e valores
A mensagem deixada pelo Congresso é clara: a Europa não pretende apenas crescer, mas liderar com responsabilidade, visão estratégica e compromisso com os valores essenciais do judô. A atuação da EJU nos últimos anos mostra que é possível unir resultados esportivos, excelência de gestão e impacto social positivo em um único projeto continental.
Segundo Dr. Tóth, o judô segue sendo “uma ponte entre culturas e um espaço livre de barreiras”. E, sob sua liderança, a União Europeia de Judô caminha para ser não apenas uma potência esportiva, mas também um modelo global de governança e inclusão.


