A caça a Djokovic não é questão de saúde

A caça a Djokovic não é questão de saúde

O tenista número 1 do mundo mostrou para a ditadura australiana o que é responsabilidade e dignidade. Um sorriso nunca foi tão largo

Por Guilherme Fiuza / Metrópolis
20 de janeiro de 2022 / Curitiba (PR)

O sorriso de Novak Djokovic ao desembarcar na Sérvia, deportado da Austrália, era visível por trás da máscara – porque era largo. O sorriso largo do tenista número 1 do mundo no regresso ao seu país depois de escorraçado pela ditadura australiana mereceria a seguinte legenda: responsabilidade e dignidade.

Um sorriso de responsabilidade brota quando você tem a consciência plena de que agiu 100% de acordo com os seus deveres, em lealdade ao grupo ao qual pertence e ao seu contexto social. No caso, a responsabilidade de ter atestado a sua saúde plena e a sua imunidade alta numa situação de pandemia. A tranquilidade derivada da responsabilidade por não ter colocado um único colega, um único ser humano em risco com a sua conduta.

Ao contrário: uma conduta impecável significando a proteção ao próximo – com a garantia oferecida documentalmente a toda a comunidade sobre a impossibilidade de se tornar um fator de contágio.

Para os que afetam preocupação com saúde pública escondendo outros propósitos, as garantias sanitárias plenas oferecidas por Djokovic não significam nada. Tanto que outros tenistas ingressaram na Austrália com o “esquema vacinal completo” e apareceram com a doença lá dentro. Não houve problema nenhum. Nenhuma grita, nenhum alarme, nenhum brado de repúdio como os dirigidos a Djokovic, plenamente saudável.

Vamos corrigir um trecho acima: não há ninguém afetando preocupação com saúde para esconder outros propósitos. O certo é: para tentar esconder. Nenhum desses hipócritas consegue esconder nada – e isso tem que ficar bem assinalado. A propaganda segregacionista é grosseira. Não tem sutileza, não tem sofisticação alguma. E assim voltamos à legenda do sorriso de Djokovic: responsabilidade e dignidade.

Sim, a dignidade também faz sorrir. Você exerceu a sua responsabilidade de forma inquestionável por quem é honesto e mesmo assim viu autoridades nacionais de um país que não é o seu tentarem difamá-lo. Tentarem usar a grandeza que você alcançou com seus méritos como outdoor para uma propaganda enganosa – e perigosa. A ideia de que as vacinas de covid, ainda em estudo sobre segurança e eficácia, significam um bloqueio sanitário efetivo é um monumento à irresponsabilidade.

Esse passaporte vacinal imposto como condição essencial para a vida em sociedade é um engodo – e está atentando gravemente contra o princípio da imunização. Alguns mais descuidados chegam a escrever que tenistas testaram positivo na Austrália apesar de “imunizados”. Vocês querem transformar o conceito de imunidade numa licença poética? Ou num estado de espírito? Como alguém contrai uma doença para a qual está imune? Chegamos a esse ponto: a imunidade foi relativizada. A honestidade também.

O sorriso de dignidade de Novak Djokovic advém da sua imunidade à canalhice. Sua fama foi usada por tiranetes para propagandear um totalitarismo higienista e seu passaporte infame que não barra vírus, só gente. E o astro sorri inabalável. Seu sobrevoo olímpico à sordidez dos charlatões é comovente. Ele sabe que também há cafajestes na França preparando armadilha idêntica no próximo torneio. Seu sorriso largo é o de quem sabe que não há valor mais alto que manter a espinha ereta numa floresta de covardes.

Responsabilidade e dignidade. Honestidade e liberdade. Obrigado, Novak Djokovic.

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