A nomeação de Cláudia Carletto abre expectativa de reestruturação do esporte paulista após um período marcado por fragilidade administrativa, ausência de planejamento e impactos diretos nos municípios.
Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 7 de abril de 2026
O governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, nomeou, nesta terça-feira, duas mulheres para o primeiro escalão da administração paulista. Cláudia Carletto assume a Secretaria de Esportes, enquanto Ana Biselli Aidar passa a comandar a Secretaria de Turismo e Viagens.
As novas secretárias iniciam imediatamente as agendas de transição e planejamento com suas respectivas equipes técnicas. Segundo o governo estadual, as nomeações reforçam o compromisso da atual gestão com a ampliação do protagonismo feminino em posições estratégicas da administração pública.
Com a chegada de Carletto e Aidar, o governo paulista passa a contar com oito mulheres à frente de secretarias de primeiro escalão.
Gestora com trajetória consolidada no Executivo e passagens relevantes por estruturas do Legislativo, Cláudia Carletto substitui a coronel Helena Reis e assume a pasta com o desafio de reestruturar políticas públicas voltadas ao esporte. Entre as prioridades estão o fortalecimento do fomento à prática esportiva, o suporte ao alto rendimento e a modernização da infraestrutura esportiva nos municípios paulistas.
Antes de assumir a Secretaria de Esportes, Carletto atuou como secretária executiva estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (2023–2024), período em que liderou iniciativas de inclusão, como a implantação da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CipTEA). Na Prefeitura de São Paulo, ocupou a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (2019–2022) e a Secretaria Executiva Adjunta de Políticas para Mulheres (2018–2019). Mais recentemente, esteve à frente da Fundação Casa e presidiu o Fórum Nacional dos Gestores Estaduais do Sistema de Atendimento Socioeducativo (Fonacrid).
Expectativa de reconstrução estrutural
A indicação de Cláudia Carletto repercutiu diretamente entre os gestores municipais de esporte do estado. A ASEMESP — Associação dos Secretários Municipais de Esporte do Estado de São Paulo, entidade que representa as secretarias dos 645 municípios paulistas, acompanhou de perto os impactos da condução recente da política esportiva estadual. Segundo o secretário-executivo da entidade, Mauzler Paoli, a mudança representa uma oportunidade de reorganização estrutural da pasta.
Após dar as boas-vindas à nova secretária, o secretário-executivo da ASEMESP, Mauzler Paoli, destacou a expectativa de mudança na condução da política esportiva estadual.
Segundo ele, a nomeação de Carletto representa a possibilidade de retomada de uma gestão estruturada, baseada em planejamento e capacidade de execução.
“Nos últimos três anos e três meses, o esporte paulista foi conduzido por uma gestão que, sem qualquer caráter pessoal na avaliação, não possuía a expertise necessária para liderar a pasta. Isso resultou na ausência de avanços concretos e no enfraquecimento estrutural do sistema esportivo do Estado”, afirmou.
Na avaliação de Mauzler, o histórico da nova secretária gera expectativa de reorganização da política esportiva paulista.
“Esperamos uma gestão ágil, com capacidade de decisão e implementação de ações que atendam às demandas da pasta. O esporte paulista viveu um período de descontinuidade, um verdadeiro vácuo administrativo, e isso impactou diretamente os municípios.”
O dirigente também apontou fragilidades recentes na organização das principais competições promovidas pelo Estado.
“Os Jogos Regionais e os Jogos Abertos apresentaram problemas estruturais significativos, afetando diretamente os 645 municípios paulistas. Essas competições precisam ser reavaliadas e reorganizadas. A Secretaria de Esportes não atua apenas no alto rendimento — ela influencia o esporte de base, o esporte escolar e o esporte social. Quando há falha na condução, o impacto chega diretamente à comunidade.”
Para Mauzler, o momento exige reconstrução. “Vivemos um retrocesso estrutural importante. A expectativa é que a nova gestão consiga recolocar o esporte paulista em um patamar de organização e relevância, com planejamento consistente e projetos exequíveis.”

