Mais de 200 atletas iranianos pedem dissolução do Comitê Olímpico Nacional do Irã em carta a Kirsty Coventry

Mais de 200 atletas iranianos pedem dissolução do Comitê Olímpico Nacional do Irã em carta a Kirsty Coventry

Documento afirma que o esporte iraniano está subordinado à máquina ideológica da República Islâmica e denuncia perseguições, coerção política e violações sistemáticas da Carta Olímpica.

Fonte Farzad Youshanlou / Sportsin
11 de março de 2026

Mais de 200 atletas iranianos solicitaram a dissolução do atual Comitê Olímpico Nacional do Irã em uma segunda carta aberta dirigida à presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry. No documento, os signatários afirmam categoricamente que o comitê não representa o esporte iraniano.

Entre os signatários estão nomes olímpicos de destaque, como Saeid Mollaei, Javad Mahjoub, Samaneh Khoshghadam e Hamoon Derafshipour, além de diversos atletas que atualmente integram a Equipe Olímpica de Refugiados do COI. A carta também foi assinada pelo ex-jogador Bayern de Munique, Ali Karimi, pela grande mestre de xadrez Mitra Hejazipour, pelo acadêmico do esporte Dr. Mojtaba Pourbakhsh, pelo técnico da seleção francesa de luta livre Ayoub Azmoudeh, pelo mergulhador holandês Yal Bashi e pelo ex-integrante da seleção iraniana de polo aquático Reza Soleimani.

O documento foi enviado à redação do Sportsin pela Associação de Atletas Iranianos que Buscam a Liberdade e é reproduzido a seguir na íntegra.

“Segunda Carta Aberta a Kirsty Coventry, presidente do COI”

Data: 09/03/2026

Senhora Presidente,

Em nossa primeira carta, expusemos os fatos. O esporte iraniano não é governado por atletas. Ele é controlado pela máquina ideológica da República Islâmica. Suas federações não são instituições independentes; são extensões do poder estatal.

Documentamos a discriminação sistêmica contra as mulheres. Revelamos a exclusão de atletas Bahá’ís por motivos religiosos. Destacamos políticas antissemitas que obrigam atletas iranianos a desistirem de competir contra israelenses. Também detalhamos a presença institucional da Guarda Revolucionária Islâmica nos mais altos níveis da administração esportiva, incluindo os Comitês Olímpicos e Paralímpicos nacionais.

“Nesse contexto, o silêncio não é neutralidade. Ele protege uma política discriminatória.”

Os Comitês Olímpicos e Paralímpicos da República Islâmica não representam o esporte iraniano. Eles representam um regime. Funcionam como instrumentos políticos, e não como entidades esportivas. Seu objetivo é o alinhamento ideológico, não a excelência atlética. Por décadas, a República Islâmica tem utilizado o esporte como ferramenta para exportar sua doutrina, ao mesmo tempo em que apresenta uma imagem idealizada à comunidade internacional.

Por meio de uma diplomacia cuidadosamente articulada dentro das estruturas olímpicas, figuras alinhadas ao regime conquistaram posições influentes. Kaveh Mehrabi, atualmente ocupando um cargo de diretor sênior no COI, possui dois registros de desistência de competições contra adversários israelenses.

Tais ações constituem uma violação direta da Carta Olímpica. Ele jamais esclareceu publicamente se essas desistências foram voluntárias ou resultado de pressão estatal. Mais grave ainda, nunca se pronunciou sobre a coerção sistemática sofrida por atletas iranianos obrigados a abandonar confrontos contra israelenses. “Nesse contexto, o silêncio não é neutralidade. Ele protege uma política discriminatória.”

Soraya Aghaei, elevada à condição de membro do COI com o seu apoio, também não pode alegar representar os atletas do Irã. Ela não condenou a repressão violenta promovida pela Guarda Revolucionária Islâmica contra civis iranianos, incluindo atletas. Sabe que atletas foram mortos. Sabe que muitos permanecem presos. Alguns enfrentam a pena de morte. Ainda assim, escolheu o silêncio.

“Sua resposta à repressão contra atletas iranianas e à politização do esporte no Irã definirá mais do que uma presidência. Definirá se a Carta Olímpica é um documento vivo ou apenas um texto cerimonial.”

No âmbito nacional, o presidente do Comitê Olímpico do Irã, Mahmoud Khosravi Vafa, é uma figura relevante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Ele foi recebido nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão, a convite do COI, e fez lobby ativo em apoio à candidatura de Soraya Aghaei. Isso não é coincidência. Reflete um sistema no qual a lealdade política se sobrepõe à integridade esportiva.

Senhora Presidente, o Movimento Olímpico afirma defender a igualdade, a neutralidade e a dignidade humana. Esses princípios são incompatíveis com punições baseadas na nacionalidade, exclusão religiosa, segregação de gênero e prisão de atletas.

Como a primeira mulher a liderar o Comitê Olímpico Internacional, sua resposta à repressão contra atletas iranianas e à politização do esporte no Irã definirá mais do que uma presidência. Definirá se a Carta Olímpica é um documento vivo ou apenas um texto cerimonial.

Em momentos de injustiça, o silêncio pode ser percebido como cumplicidade, e não como neutralidade. Respeitosamente, instamos Vossa Excelência a agir com coragem e em consonância com os princípios declarados, considerando a dissolução do Comitê Olímpico Nacional do regime iraniano.”

Clique AQUI para acessar a lista completa de signatários.

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