Às vésperas da eleição mais tensa da história recente da CBAt, Wlamir Motta tenta a reeleição após transformar a entidade em referência internacional. Mas o processo pode ser travado na Justiça, após ação movida por seu principal adversário.
Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 22 de março de 2025
Neste domingo, 23 de março de 2025, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) viverá um dos momentos mais delicados e simbólicos de sua história recente. Em meio a uma eleição marcada por disputas nos bastidores e tentativas de judicialização do processo, o atual presidente da entidade, Wlamir Motta Campos, concorre à reeleição após um mandato amplamente reconhecido pela reconstrução e valorização do atletismo brasileiro.
Desde que assumiu o comando da CBAt em 2021, após um período de grave instabilidade institucional — que culminou com a renúncia do ex-presidente em 2018, em meio a denúncias —, Motta imprimiu um novo ritmo à gestão da entidade. Com foco na transparência, governança e planejamento estratégico, promoveu mudanças estruturais que devolveram ao atletismo nacional seu protagonismo técnico e institucional.
Sob sua liderança, a CBAt foi agraciada pela World Athletics, em 2022, com o prêmio de Melhor Federação Nacional do Mundo, entre 214 países filiados. A premiação refletiu a credibilidade da gestão e a excelência da atuação da confederação, que naquele mesmo ano sediou seis eventos internacionais e ampliou significativamente seus canais de apoio aos atletas — com destaque para os investimentos em saúde, performance e suporte financeiro. Além disso, a CBAt firmou parcerias estratégicas com marcas de peso como Loterias Caixa, Puma, Prevent Senior e NewOn, ampliando a base de apoio ao alto rendimento e contribuindo para a sustentabilidade e o crescimento da modalidade.
Apesar desse histórico de realizações, o cenário eleitoral atual se desenha como um embate político entre dois caminhos distintos para o atletismo nacional. De um lado, Wlamir Motta representa a continuidade de uma gestão que tem como pilares a ética, a eficiência e o desenvolvimento técnico da modalidade. Do outro, sua candidatura enfrenta a oposição de grupos que historicamente adotaram práticas diferentes.
Judicialização
Marcada por disputas nos bastidores e ameaças de judicialização, a eleição que deveria fortalecer o comando da entidade corre o risco de sequer acontecer. Isso porque Joel Oliveira, presidente da Federação Paulista de Atletismo e principal opositor do atual presidente, ingressou com uma ação na justiça comum buscando reverter a impugnação de sua chapa.
A disputa, de fato, remonta a antigas divergências entre Motta e Joel, figura conhecida nos bastidores da política esportiva. Embora o tom dos embates seja hoje mais institucional, é notória a oposição entre duas visões antagônicas sobre a condução da CBAt e os rumos do atletismo brasileiro.
Neste momento decisivo, cabe à comunidade do atletismo — federações, atletas, treinadores e dirigentes — avaliar não apenas os nomes, mas os projetos, os resultados e a coerência de conduta de quem se propõe a liderar a confederação no próximo ciclo olímpico. O que está em jogo não é apenas uma presidência, mas o rumo de uma das modalidades mais emblemáticas do esporte olímpico do Brasil.
O atletismo brasileiro precisa seguir crescendo com independência, planejamento e responsabilidade. E, neste cenário, avaliamos que Wlamir Motta Campos representa, para muitos, não apenas a continuidade de uma gestão eficiente, mas um compromisso inegociável com o futuro do esporte nacional. Ele simboliza a continuidade de uma gestão ética, moderna e transformadora, cujo compromisso com o esporte extrapola cargos e mandatos. Diante de um momento tão delicado, é preciso firmeza e clareza para que o atletismo siga no caminho que o trouxe até aqui: o caminho do mérito, da transparência e do respeito à sua história.
É inegável que Joel Oliveira vem realizando uma excelente gestão à frente da Federação Paulista de Atletismo. Jovem e determinado, tem potencial para contribuir com o esporte nacional no futuro. Mas o desafio de conduzir a CBAt exige mais do que competência técnica — exige maturidade política, experiência institucional e estabilidade. E, neste momento, talvez o mais sensato seja reconhecer que seu tempo há de chegar. Hoje, a prioridade é preservar os avanços conquistados e garantir a continuidade de uma gestão que recolocou o atletismo brasileiro em posição de destaque no cenário internacional.