Presidente do Conselho de Ética do tênis de mesa renuncia depois de afastar toda diretoria

Presidente do Conselho de Ética do tênis de mesa renuncia depois de afastar toda diretoria

Comissão recebeu denúncia anônima na segunda-feira e, um dia depois, destituiu comando da CBTM. Decisão foi revogada com efeito suspensivo do STJD da entidade.

Por Fabio Grijó e Flávio Dilascio / ge
Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2026

Na semana em que afastou a diretoria da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) – e a decisão foi suspensa pelo STJD dois dias depois – o presidente do Conselho de Ética da entidade renunciou ao cargo. Neste sábado, Gustavo Lopes Pires de Souza entregou carta deixando o posto, como o ge apurou. Também deixou o conselho Juliana Siqueira. Na terça-feira, o Conselho de Ética afastou o presidente da CBTM, Valmir Schindler e seus diretores depois de uma denúncia anônima, recebida na véspera. Com a mudança, Marcelo Jucá tinha sido nomeado como interventor. Na quinta-feira, o STJD da confederação concedeu efeito suspensivo e pôs novamente Schindler e seus pares no comando da entidade.

Na carta de renúncia, Souza reafirma que, ao longo de aproximadamente seis anos à frente da Presidência, pautou a atuação “pela ética, pela independência, pela defesa do melhor interesse do esporte e pela convicção de que os órgãos de integridade devem exercer suas atribuições com autonomia, coragem e responsabilidade”. “Durante esse período, todas as decisões que tomei decorreram da minha compreensão dos fatos e das normas aplicáveis em cada momento, sempre orientada pela boa-fé, pela consciência do dever e pelo propósito de contribuir para o aprimoramento institucional e para a proteção do esporte”, escreveu o agora ex-presidente da Comissão de Ética da CBTM.

Comissão de Atletas

Ainda neste sábado, a Comissão de Atletas da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) divulgou nota em que classificou a decisão do Conselho de Ética da entidade como “precipitada” e declarou que o afastamento de uma diretoria eleita democraticamente pela Assembleia Geral “só se justifica diante de indícios robustos de devidamente apurados”.

“Registramos ainda que acompanhamos o posicionamento divulgado pelo Conselho de Administração e compartilhamos da mesma preocupação com a preservação da estabilidade institucional, sem prejuízo da apuração regular dos fatos por quem tem competência para isso. Seguiremos atentos ao andamento do caso, levando aos demais poderes da CBTM as preocupações dos atletas filiados e mantendo-os informados sobre qualquer desdobramento relevante para a modalidade”, encerra a nota da Comissão de Atletas.

Entenda o caso

Na última terça-feira, o Conselho de Ética da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) determinou intervenção de, no mínimo, 30 dias na atual administração da entidade. Foi nomeado como administrador temporário o advogado Marcelo Jucá, que poderia renovar a intervenção por mais 30 dias ou convocar novas eleições.

A decisão do Conselho foi tomada com base em denúncia anônima enviada para a ouvidoria da CBTM na véspera. Segundo a denúncia, com cerca de 140 páginas, haveria indícios comprovados de irregularidades na gestão do presidente Vilmar Schindler, que assumiu a confederação em janeiro de 2025 e tem mandato até dezembro de 2028. Com a intervenção, todos os dirigentes da CBTM empossados em janeiro de 2025 estariam destituídos dos seus cargos. Jucá foi à sede da CBTM nesta quarta-feira, mas encontrou o local fechado e sem ninguém. Nesta quinta-feira, a atual gestão da confederação conseguiu efeito suspensivo da decisão.

Em entrevista ao ge, o presidente Vilmar Schindler chamou a iniciativa de tirá-lo e sua diretoria do poder como “tentativa de golpe”.

– Olha, isso é uma orquestração, né? É, digamos, uma tentativa de um golpe. Isso daí é um perigo para o para o Brasil, para o desporto brasileiro. Você já imaginou se todas as as confederações forem julgadas assim monocraticamente, e vai tirando, vai saindo? Não é por aí esse o caminho.

O ge também procurou Marcelo Jucá, escolhido como o administrador temporário por decisão do Comitê de Ética na terça-feira, desfeita dois dias depois pelo STJD.

– Eu recebi a denúncia e o questionamento se eu aceitava ou não o encargo de ser o administrador provisório através do correio eletrônico, através do meu e-mail. E li atentamente a denúncia e a decisão, uma decisão fundamentada em mais de 40 laudas, salvo engano. E eu posso te dizer que, assim, dentro do limite do sigilo que se reveste esse caso, que se trata de acusações graves. Bem graves – disse Jucá, citando o sigilo exigido sobre a denúncia. – A denúncia, que foi feita de forma anônima, ela trata de questões de cunho ético. Questões éticas são julgadas pela Comissão de Ética.

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